Discutir e trocar experiências tanto teóricas quanto vivenciais, sem rigidez de autores ou escolas, sem formatação intelectualóide nem discursinho academicista. Não há enfase nem direcionamento voluntário, escolas áridas e puristas de pensamento. Sem senhores, sem autoridade, sem verdades...
domingo, 20 de maio de 2012
PROPRIEDADE INTELECTUAL: Falácia do século?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
A coisa mais incrível
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Garantir Direitos ou Atender Necessidades?

Quando penso em direitos é difícil não pensar em intervenção, é difícil não pensar também em obrigar alguém a fazer algo para um suposto “bem comum”. Nega-se ostensivamente a capacidade para uma ação.
Garantir direitos é algo dúbio e encerra uma noção de que essa garantia irá ser exercida por um poder que pode curvar e alienar a vontade de quem quer que seja.
As leis deveriam ser construídas sob um senso de justiça, mas na humanidade histórica foram sempre convencionadas por poucos: senhores, elites, sacerdotes.. toda a sorte de pessoas que detém o poder. Não raro as leis se distanciaram das aspirações coletivas, comuns. Então encerraram intrinsecamente injustiças impostas.
O agente impositor contemporâneo, o Estado, foi historicamente retro-legitimado pela lei ou legitimado pela força. Coação e coerção.
Assim as leis encerram como pontos comuns não só o favorecimento de certas classes em detrimento de outras, mas a violência justificável, a imposição do medo e a manutenção de sua fonte: no caso o Estado.
O sistema de lei é intrinsecamente violento e, ao contrário do que se propaga, não foi feito para coibir a violência do Homem, mas fomenta-a e conserva, bem como a ganância o territorialismo e todas as formas competitivas de sentimentos (ou resquícios de instinto).
Por outro lado quanto se utiliza o sentimento gregário humano em cooperação, não há a necessidade, por lógica, de competição ou imposição. Atender, não por regra, às próprias necessidades, mas as da prole e do grupo social é um comportamento matriarcal que garantiu a evolução de muitas espécies incluso a humana. A distorção darvinista garantiu a competição como mecanismo da evolução, em consonância com a cultura anglo-europeia de sua época. A cooperação claramente é o mecanismo mais eficiente e criativo para a evolução.
Quando se busca utilizar recursos para atendimento de necessidades não se busca os excedentes ou a escassez e por isso não se precisa da força ou criar o conceito de propriedade para manter excedentes. Estes sempre foram roubados ao coletivo e justificados por gerações de economistas. A nobreza e a excelência da criatividade não se expressam pelo instinto de disputa, mas pelo espírito associado à plenitude que humanamente é coletiva e busca atender ao coletivo. Seja o que for, nunca se lhe faz somente para si.
O instinto de sobrevivência na escassez foi sistematicamente corrompido e moldado de forma a torná-lo, assim como à violência, condições básicas nas culturas que vieram a ser (e hoje são) hegemônicas. Esse é o legado das sociedades patriarcais, beligerantes e cronicamente violentas. A hierarquia e a punição são seus traços constantes. Se esses traços não são postos às claras e discutidos cria-se o discurso legalista que a tudo naturaliza com argumentos místicos. O horror torna-se então valor para trocas. Paga-se tanto para infligi-lo quanto para dele ficar isento. Tomam-se propriedade e lei como garantias.
Como uma mentira pôde ser tão bem contada?
Budha tem a resposta, mas afinal somos ocidentais e preferimos escrever livros, tratados recheados de solenidades..... Fingimento que justifica a perversidade.
terça-feira, 14 de junho de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)
Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
domingo, 6 de março de 2011
O tempo da percepção (ou) A percepção do tempo
De acordo com o tempo geológico e antes dele o tempo cósmico as nuvens infidáveis de pó se condensaram no "vazio", a tal ponto e em tal dimensão que o colapso foi iminente (para uma escala temporal cósmica).
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
a perspectiva do verme

Tudo no Universo tem uma origem, o próprio universo conhecido tem. As imensidões, para os humanos intranponíveis, milhares de anos à velocidade de luz entre uma e outra galáxia.. e elas ainda estão em expansão.
O nosso Sol, uma estrela amarela pequena, comum no Universo. Nela gravitam nove planetas cujo um dos pequenos é a Terra.
É preciso se lembrar que nosso sistema solar é remoto em relação a nossa galáxia, pequeno.... ....ele é bastante comum. No universo conhecido a cifra de mundos gravitando estrelas supera os trilhões (10^12), os possívelmente abençoados com a vida (em qualquer tempo) superam centenas de milhões.
Onde terá/teve a vida evoluido até a inteligência, auto-consciência?
Assim, sempre parece insensato, neste tipo de escala, tentar encaixar o Universo em um esquema (científico, reliogioso, filosófico) que amenize o desconforto do frágil Homem.
Em todas as nossas maravilhas e insanidades fica um traço evidente: a infantilidade dos humanos, seja esta sentimental, intelectual, religiosa ou coletiva. Uma leva a outra reciprocamente.
As religiões representam os estertores de uma siciedade que sempre, por diversos motivos, tenta ligar sua existência a valores, mas com o tempo todos esses valores se tornaram acessórios.. em nome de ideais fúteis como poder, posse, ideal, crença... o medo.
Fica clara nossa infantilidade tanto no materialismo cego quanto nos religiosismos e outras posturas fanáticas, histéricas. Todos os homens que enxergaram/enxergam além foram taxados, perseguidos pelo medo e a ignorância dos demais. Logo em seguida foram mortos, transformados em mito falseados e imitados como uma criança amarra um pano vermelho nas costas para imitar o super heroí americanóide.
Dormimos um sono funesto sonhando sonhos perversos, conosco e com o outro.. assim estamos Humanidade. Criamos leis e um sistema econômico que encarnam perfeitamente a inferioridade de nossas personalidades, de nossa cultura ocidental pós industrial, de nossa sociedade.
As bases da moderna economia (macro e micro) são a ganância, cobiça, egoísmo... o genocídio, roubo e destruição do único patrimônio cósmico que nos cabe atualmente: a nossa humanidade e o planeta. O lucro é a noção que condensa toda a barbárie socialmente aceita.
Será necessário sentir toda a dor de nossa falta de bom senso antes do retorno a saúde plena de nossa sociedade? Será que as mentiras carcomidas, os mitos ensinados nas escolas como forma de bestialização do povo permanecerão por muito tempo ainda?
Quanto tempo até termos compaixão de nossa própria miséria para daí aceitá-la e depois quem sabe fazer algo pelo outro, verdadeiramente?
Vamos pensar um pouco sobre o que nesse Universo é estável e duradouro... nosso modo de vida é que não é...

