Discutir e trocar experiências tanto teóricas quanto vivenciais, sem rigidez de autores ou escolas, sem formatação intelectualóide nem discursinho academicista. Não há enfase nem direcionamento voluntário, escolas áridas e puristas de pensamento. Sem senhores, sem autoridade, sem verdades...
A aceitação... ___________________________________
As borboletas que antes foram lagartas...
As mudanças que se operam na nossa vida quando temos a coragem de ser. A grande coragem de ser.
Assustado com sentimentos.. sempre desde pequeno.
A calma que precede a tempestade..... //Temos medo das tem... pestades
Ganhar e perder.... ahh como a dor nos toca!! Para nos libertar do ganhar ou perder... só podemos ser se criarmos um momento tão verdadeiro, amando sem orgulho ou egoísmo.
Tocados pelo intangível nos tornamos borboletas, imaculados, nadando na imensidão do puro amor e compaixão
A dependência alimentar que já era uma coisa opressora para toda a humanidade, ma minha opinião o maior triunfo capitalista sobre a raça humana, tenderá agora a ficar ainda mais restritiva das liberdades individuais básicas do ser, como por exemplo, escolher o que quer comer.
Se o texto abaixo é ou não teoria da conspiração não importa: o que tem impacto diário nas nossas vidas é que estamos morrendo pela boca, não no sentido físico apenas da expressão, mas de uma forma moral. Muitos de nós apenas nos “arrastamos” pelas ruas, uma sombra do que um autêntico Ser deveria ser.
Não somos nós mesmos, agimos por propulsão externa rumo a objetivos pré-fabricados e a estereótipos sociais que nos permitem sermos “aceitos e amados” por essa sociedade e seus padrões que tão confortavelmente aceitamos e defendemos como “normais”.
Esse tom denuncista já está me cansando quero começar algo em mim, diariamente. Gostaria de me postar diante das relações doentes e distorcidas da vida como algo mais que um pregador.. ...o tempo das pregações já passou! Chegado é, o tempo da ação, mas como agir se estamos acorrentados por vontade (ou falta de) às misérias mais desprezíveis da nossa inanição moral?
Quando poderemos olhar dignamente para o rosto de nossos filhos, aqueles que temos que pretendemos, ou mesmo os que não teremos por nós e dizer: _“te amo e faço diariamente um esforço para que sejas tanto melhor como o mundo que tento melhorar para ti”. Confesso que o “te amo” sincero já seria ótimo.
Aonde essa acumulação de capital/desgraças vai nos levar? Até onde agüentaremos ser retalhados por nossa passividade e por nossa permissividade em relação ao feio, cruel, desumano, indiferente? Como pudemos trocar vidas humanas (dos nossos filhos) por uma série de “tranqueiras” que não servem, sinceramente, pra nada...
Creio que o legado do século é o câncer aos 50 ou 60, nossas células nos dizendo: NÃO!!! Já que nosso cérebro racional nos leva a sermos menos racionais, menos inteligentes, mais iludidos e mais covardes dia a dia.
Vou propor um exercício, sem te conhecer: Repita e visualize cada palavra do verso abaixo (penso que não esteja de fato em verso por ser uma tradução)
“Eu contemplo o mundo onde o Sol reluz, onde as estrelas brilham e onde as pedras dormem. Onde as plantas vivem, e vivendo crescem. Onde os bichos sentem e sentindo vivem. Onde já o homem, tendo em Si a Alma abrigou o Espírito. Eu contemplo a Alma que reside em Mim. O Divino Espírito age dentro dela, assim como atua sobre a luz do Sol; Ele paira fora na amplidão do espaço e nas profundezas da Alma também. A Ti eu suplico, ó Divino Espírito; que bênçãos e forças para o aprender e para o trabalhar; cresçam dentro de mim.”[Verso Waldorf]
Agora vá lá, volte para a sua vida.
CODEX ALIMENTARIUS - Um crime contra a humanidade
Por mais dantesca que possa parecer essa matéria, podemos concluir que quem manda em nossos governos são as "Corporations" , que por meio de seu poder econômico, ditam as regras e decidem o rumo da "inocente e distraida" humanidade. Aqui está uma oportunidade do leitor verificar que há um plano em andamento para um extermínio em massa (em outra ocasião falaremos também sobre o suspeito programa REX 84).
partir de 01 de Janeiro de 2010, entra em vigor o polêmico Codex Alimentarius (Código Alimentar, em latim). Mas você provavelmente não saiba o que é isso, e é exatamente o que eles querem.. Como os meios de comunicação também são controlados pela ELITE GLOBAL, arquiteta desse plano, as informações chegarão ao público distorcidas e levando a população a acreditar que se trata de uma iniciativa benéfica.
O Codex Alimentarius é um Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação - FAO e da Organização Mundial da Saúde - OMS. Trata-se de um fórum internacional de normalização sobre alimentos - sejam estes processados, semiprocessados ou crus - criado em 1962, e suas normas têm como fachada "proteger a saúde da população". Se você aqui ainda acha que a ONU e a OMS são boazinhas, e que essa matéria faz parte da "delirante turma da teoria da conspiração", você precisa se informar mais.
As normas desse perigoso organismo, o Codex, abrangem ainda aspectos de higiene e propriedades nutricionais dos alimentos, código de prática e normas de aditivos alimentares, pesticidas e resíduos de medicamentos veterinários, substâncias contaminantes, rotulagem, classificação, métodos de amostragem e análise de riscos.
Na versão oficial (exceto as aspas), parece que estão preocupado com a saúde da população, mas na verdade o Codex é uma fonte poderosa de controle sobre a humanidade e de apreciável lucro para as grandes corporações, especialmente as dos ramos químico e farmacêutico.
Estas normatizações abrangem todos os tipos de alimentos, dos crus aos processados, sendo quase que humanamente impossível tomar conhecimento de todas as medidas que foram criadas. Algumas centenas de diretrizes (mais de 400) aparecem no site da Agência (www.codexalimentari us.net), não disponível em português; toda informação oficial que se pode acessar está disponível nos sites das Agências e Ministérios governamentais, apesar de estar suprimida e bastante desatualizada e fragmentada pelos sítios... mas não será essa a intenção? Entre centenas de diretrizes e normativas, podemos encontrar processos perigosos que dizem respeito à:
- INOCUIDADE DE ALIMENTOS ATRAVÉS DA IRRADIAÇÃO;
- LIMITES MÁXIMOS ALTÍSSIMOS PARA AGROTÓXICOS E QUÍMICOS
- LIMITES MÁXIMOS BAIXÍSSIMOS PARA VITAMINAS E MINERAIS
"Quem controla a comida, controla o mundo!"
Traduzido em miúdos, o Codex vai trazer severas restrições à nossa já precária LIBERDADE de escolha em termos de alimentação e prevenção/tratamento de doenças.
No vídeo a seguir, veja a palestra da Dra. psiquiatra Rima Laibow, na Associação Nacional de Profissionais de Nutrição (NANP) USA, em 2005, sobre os acordos comerciais da OMC e suas regulamentações a cerca da produção e comercializaçã o dos alimentos, que incluem as seguintes exigências: inocuação dos alimentos por radiação, proibição de nutrientes considerados "tóxicos" e liberação do uso de agrotóxicos que já foram proibidos por causarem graves danos ao homem e o meio ambiente.
A seguir, uma discreta síntese dos absurdos do CODEX ALIMENTARIUS:
- Suplementos nutricionais, como vitaminas, por exemplo, não poderão mais ser vendidos para uso profilático ou curativo de doenças; potências de qualquer suplemento liberado, estarão limitadas a dosagens extremamente baixas, sub-dosagens, na verdade, e somente as empresas farmacêuticas terão autorização para produzir e vender esses produtos (preferencialmente na sua forma sintética) em potências mais altas - no caso da vitamina C, por exemplo, qualquer coisa acima de 200 mg será considerada "alta", e será necessária uma receita médica para se poder compra-la.
- O alho ou o hortelã, serão classificados como drogas, que somente as empresas farmacêuticas poderão regulamentar e vender. Qualquer alimento ou bebida com qualquer possível efeito terapêutico poderá ser considerado uma droga. Com isso o chazinho da vovó será proibido, e a vovó será acusada de uso ilegal da medicina.
- Alimentos geneticamente modificados não precisarão ser identificados como tal, ou seja, os rótulos não informarão mais se o produto é transgênico ou se possui dosagens ou elementos prejudiciais a saúde e não saberemos a origem do que estamos comendo.
- Aditivos alimentares, a maioria sintéticos, como o aspartame, por exemplo, serão aprovados para consumo sem que se tenha conhecimento dos efeitos. Vale ressaltar que o Aspartame é um produto da MONSANTO, a mesma empresa que produz o herbicida RANDUP, e que produziu e controla os alimentos transgênicos. Essa empresa também foi a que criou os elementos para a produção da arma química conhecida como "efeito laranja". Em outra oportunidade trataremos aqui das atividades genocidas da MONSANTO, grave esse nome.
- Todos os animais destinados ao consumo humano, deverão receber hormônios e antibióticos como medida profilática; sabe aquele "gado orgânico", criado solto em pastagens e tratado só com homeopatia?. .. nunca mais!
- Todos os alimentos de origem vegetal deverão ser irradiados antes de serem liberados para consumo: frutas, verduras, legumes, nozes... nada mais chegará à nossa mesa como a natureza fez. Esses dias a mídia já divulgou que o açúcar passará pelo processo de radiação para o seu "branqueamento" .
- Os produtos orgânicos estarão completamente descaracterizados, pois terão seu padrão de pureza reduzido. Alguns aditivos químicos e várias formas de processamento serão permitidos; tampouco haverá obrigatoriedade por parte do produtor de informar que produtos usou e em que quantidades - rótulos não serão obrigatórios na era pós-Codex.
- Para a agricultura convencional, os níveis residuais aceitáveis de pesticidas e herbicidas estarão liberados em níveis que ultrapassam em muito os atuais limites de segurança! Em outras palavras, estarão envenenando nossa comida.
Em síntese, os objetivos do Codex incluem:
1 - Globalização das normas;
2 - Abolição da agricultura/ criação orgânica;
3 - Introdução de alimentos geneticamente modificados;
4 - Remoção da necessidade de rótulos explicativos de qualquer espécie;
5 - Restrição de todos os remédios naturais, que serão classificados como drogas.
Indicar aquele chazinho para um amigo? Ou quem sabe informar ao vizinho que farelo de aveia ajuda a reduzir o colesterol? Sugerir que mamão solta e banana prende?... Nem pensar! Poderá ser considerado "prática ilegal da medicina"! Não se poderá dizer que produtos naturais curam doenças porque não são medicamentos e, na era pós-Codex, só medicamentos APROVADOS pelas novas regras poderão ser referidos para tratar doenças... e assim mesmo, só por um médico.
Medicina alternativa, tibetana, ayurveda, homeopatia, essências florais... só se a turma do Codex disser que pode. Entrando esse "programa" em vigor (daqui há 6 meses) da forma como vem sendo preparado há mais de 45 anos, teremos perdido nossa liberdade de optar por uma medicina e nutrição naturais, poderemos vir a precisar de receita médica até para ir à feira...
No site http://www.anvisa. gov.br/alimentos /comissoes/ alimentarius. htm da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, você encontra:
“Voltemos a natureza e deixemos essa grande Vida fluir por nós livremente, que tudo será para o nosso bem. Não continuemos pretender fazer todas as coisas – deixemos que as coisas sejam por si. Elas somente pedem confiança e não resistência. Concedamos-lha.”
Apesar dos efeitos nocivos ao meio ambiente, à saúde dos trabalhadores que os manipulam e de todos nós que os consumimos por meio dos alimentos, os agrotóxicos ainda continuam sendo usados em larga escala, principalmente no agronegócio. Somente no ano passado, o mercado mundial de agrotóxicos teve um lucro líquido de 40 bilhões de dólares. A produção dessas substâncias está concentrada em nove multinacionais, que controlam 90% da produção.
Os dados foram apresentados por Letícia Rodrigues, gerente de avaliação toxicológica da Anvisa, durante o III Seminário Nacional Sobre Agrotóxicos, Saúde e Sociedade, que está sendo realizado em Brasília. Letícia chamou a atenção para o fato de que somente 65 dos 191 países do Globo (reconhecidos pela ONU) são mais ricos do que o mercado de agrotóxicos. “Com esse poder econômico superior ao de muitos países, essas empresas contribuem com campanhas e elegem representantes no Executivo e no Legislativo que defendem seus interesses e dificultam qualquer iniciativa de controle no uso dessas substâncias”.
O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. A cultura de soja é a que mais emprega esses produtos, seguida pelo milho, cana e algodão. Em 2008, o mercado brasileiro consumiu 673.862 toneladas desses produtos. Cláudia Schimitt, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), informou que as lavouras de transgênicos, ao contrário do que as empresas propagavam, aumentaram o consumo dos agrotóxicos.
Equipamento de proteção individual não elimina riscos de intoxicação Popularmente conhecidos como “defensivos agrícolas”, “veneno”, “remédio” e outras nomenclaturas empregadas de acordo com a região, os agrotóxicos podem provocar intoxicação agudas (aquelas que surgem rapidamente) e subagudas (que aparecem aos poucos). Os principais sintomas são dor de cabeça, dor de estômago e sonolência.
Médicos especializados em saúde do trabalhador afirmam que o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) não impedem o risco de contaminação, e chamaram a atenção para o fato de que a manipulação de agrotóxicos tem causado mortes, abortos, má-formação fetal, câncer, doenças de pele e até depressão com suicídio.
As intercambiantes formas de adaptação dos problemas mundiais ao sistema político e econômico vigentes são para mim algo irritante. Irrito-me primeiramente com a minha inserção nestas mentiras. Como se a forma de governo que nega a autonomia do ser, tem a punição e a padronização como metodologias; fosse resolver os problemas fundamentais do ser, logo do planeta.
O texto de Zerzan pode ser conflitante em alguns pontos com o meu e o seu pontos de vista, pois o não-conflito seria a reprodução mecanicista, mas trás em seu gérmen a rebelião íntima, rebelião contra as suas/minhas fraquezas, contra o comodismo o egoísmo e o senso de acumulação oriundo de nossas relações sociais/inércia individual.
O milagre da tecnologia é o milagre do externo, tentar resolver problemas do mundo e do outro são nossas fugas usuais para fora... ...quer provas? A História.
Talvez as nossas concepções demandem uma resolução, talvez nossa vontade precise ser mais ativa, ou apenas ser. Acreditar na solução tecnológica para o mundo sem mudarmos nós, como indivíduo e coletivo é no mínimo ingênuo, na média cínico e/ou hipócrita e no máximo “mal intencionado”.
Nosso descolamento voluntário da realidade tem motivo! Respondendo a ele respondemos ao mundo, e tenho uma forte impressão que essa é a: “verdade que desconhecemos”.
ESQUERDA? NÃO OBRIGADO!
Por John Zerzan
Não é que a energia que há no mundo está terminando. Em um determinado dia, em qualquer continente, podemos ver motins anti-governo; ações diretas de apoio à libertação animal ou para proteger a terra; esforços concentrados para resistir à construção de barragens, auto-estradas, instalações industriais; revoltas em prisões; focos espontâneos de “vandalismo” por pessoas ou entediadas de saco cheio. Greves sem autorização de sindicatos; do setor de energia; inúmeros infoshops, zines, acampamentos primitivos, escolas e encontros; grupos radicais de leitura, o "Food Not Bombs", etc. A lista de atos e projetos alternativos de oposição é muito considerável.
O que não está acontecendo é a esquerda. Historicamente, tem falhado monumentalmente. Que guerra, depressão ou ecocídio impediu? A esquerda já existe, principalmente, como um veículo combalido de protesto, por exemplo, o circo eleitoral que cada vez menos pessoas acreditam em qualquer forma. Não tem sido uma fonte de inspiração de muitas décadas. Está desaparecendo.
A esquerda está no nosso caminho e tem de sair. O suco de hoje é com anarquia. Durante cerca de dez anos, tornou-se progressivamente mais clara que as crianças com a paixão e a inteligência são anarquistas. Progressistas, socialistas, comunistas estão grisalhos e não causam tesão na juventude. Alguns recentes escritos por esquerdistas (por exemplo, "Infinitely Demanding" de Simon Critchley) expressam a esperança de que a anarquia irá reavivar a esquerda, tão em necessidade de ser ressuscitada. Isto me parece pouco provável.
E o que é anarquia hoje? Esta é a história mais importante, na minha opinião. Uma mudança fundamental em curso foi, durante algum tempo, a que tem sido bastante sub-relatada por motivos bastante óbvios.
O anarquismo tradicional ou clássico é tão fora de questão como o resto da esquerda. Não é em nenhum momento, parte da impressão freqüente que se tem no aumento de interesse sobre a anarquia. Observe o uso aqui: não é anarquismo que está avançando, mas a anarquia. Não uma teoria eurocêntrica fechada, mas uma ideologia aberta, que não se detém por barreiras, sempre questionando e resistindo.
A ordem dominante mostrou-se surpreendentemente flexível, capaz de co-optar ou recuperar inúmeros gestos radicais e abordagens alternativas. Devido a isto, chama-se para algo mais profundo, algo que não pode ser contido dentro dos termos do sistema. Esta é a principal razão para o fracasso da esquerda: se os fundamentos não são desafiados a um profundo nível, a cooptação é certa. O anarquismo até agora, não saiu da órbita do capital e da tecnologia. O anarquismo aceitou tais instituições como divisão de trabalho e de domesticação, essas as forças primárias da sociedade de massas - a qual também aceitou.
Entre numa nova perspectiva. O que é proeminentemente colocado vai por muitos nomes: anarco-primitivismo , neo-primitivismo, anarquia verde, civilização crítica, entre outros. Para breve, vamos apenas dizer que somos primitivistas. Há sinais dessa presença em muitos lugares, por exemplo, no Brasil, onde me juntei a centenas de jovens, principalmente no Carnaval Revolução, em Fevereiro de 2008. Muitos me disseram que a orientação primitivista foi o tema da conversa e que o velho anarquismo estava visivelmente expirando. Existe uma rede anti-civilização o na Europa, incluindo os laços informais e reuniões bastante freqüentes em países da Suécia a Espanha e na Turquia.
Lembro-me de minha empolgação após descobrir as idéias Situacionistas: a ênfase na reprodução e no dom, os prazeres terrenos não sacrificam a auto-negação. A minha frase favorita dessa corrente: "No pavimento abaixo, a praia". Mas eles foram contidos pelos conselhos de trabalhadores e o aspecto producionista da sua orientação, que parecia em desacordo com a parte lúdica. Agora é hora de largar a última, e complementar a outra, a parte mais radical.
Uma jovem mulher na Croácia levou tudo mais à frente com a sua conclusão de que o primitivismo é como base um movimento espiritual. A busca da integralidade, imediatez, reconexão com a terra não é espiritual? Em Novembro de 2008 eu estava na Índia (Delhi, Jaipur), e pude ver que apresentando uma abordagem anti-industrial ressoou entre as pessoas de várias origens espirituais, incluindo pessoas influenciadas por Gandhi.
Vozes e atividades primitivas dispersas já existem na Rússia, China e nas Filipinas, e sem dúvida em outras regiões. Isso pode ainda não constituir um movimento surgindo de baixo da superfície, mas a realidade está empurrando nesta direção, como eu vejo isso. Não é apenas uma evolução lógica, mas uma que visa o coração da negação reinante, e há muito esperada.
Este movimento primitivista nascente deve vir como nenhuma surpresa dado ao escurecimento da crise que vemos, envolvendo todas as esferas da vida. É armado contra o industrialismo e as promessas da alta tecnologia, que só têm agravado a crise. A guerra contra o mundo natural e uma tecno-cultura cada vez é mais árida e desolada, são fatos gritantes. A máquina não é a resposta, mas é profundamente, o problema. Tradicionalmente o anarquismo de esquerda quer as fábricas para serem auto-gestionadas pelos trabalhadores.
Nós queremos um mundo sem fábricas. Eu poderia ser mais claro, por exemplo, que o aquecimento global é uma função da industrialização? Ambos começaram há 200 anos, e cada passo em direção a uma maior industrialização tem sido um passo em direção a um maior aquecimento global.
A perspectiva primitivista baseia-se em indígenas, na sabedoria pré-domesticada, tenta aprender com os milhões de anos de existência humana antes da/para a civilização. A vida de caçadores-coletores, também conhecida como a sociedade de bandos, era a original e a única anarquia: comunidades face a face em que as pessoas assumiam a responsabilidade para si próprias e uns com os outros. Queremos que haja alguma versão disto, um mundo-vida radicalmente descentralizado, e não a globalização, a padronização da sociedade de massas, em que todas as tecnologias brilhantes repousam sobre a escravidão de milhões de pessoas e a sistemática matança da terra. Alguns estão horrorizados por estes novos conceitos. Noam Chomsky, que ainda acredita em todas as mentiras do progresso, chama-nos de "genocidistas”. Como se a continuação da proliferação do tecno-mundo moderno já não fosse genocida!
Eu vejo um crescente interesse em desafiar essa marcha da morte em que estamos. Afinal, onde o iluminismo ou a modernidade fez algo de bom em seus pedidos de melhoria? A realidade é constantemente empobrecida em todos os sentidos. Os hoje quase rotineiros massacres em escolas, shoppings e locais de trabalho falam tão alto quanto o desastre ecológico que tem desdobramento em torno do globo. A esquerda tentou bloquear o aprofundamento extremamente necessário do discurso público, que inclui um questionamento da real profundidade das evoluções assustadoras que enfrentamos. A Esquerda precisa de ir de maneira radical, visões inspiradas podem vir mais à frente e serem compartilhadas.
Um mundo cada vez mais tecnificado onde tudo está em risco só é inevitável se continuarmos a aceitá-lo como tal. A dinâmica de tudo isso repousa nas instituições primárias que devem ser contestadas. Estamos vendo o início deste desafio agora, superando as falsas alegações de tecnologia, capital, e da cultura pós-moderna de cinismo e, além disso, superando o cadáver da esquerda e os seus horizontes ilimitados.
As percepções do que é viver coletivamente estão, em alguns pontos do planeta, tardiamente re-aflorando. É uma benção que pessoas se ponham a pensar em cuidados: consigo, com outrem e com o meio. A lógica do cuidado é tão irrefutável, o argumento é tão robusto que a única maneira que achamos (ou temos achado nos últimos séculos) foi simplesmente ignorar, negar. Ignorar a dor e esperar que ela passe por sí só.
A pergunta é: tem passado? Outra pergunta importante é: o quê ou quem é digno do nosso cuidado?
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Ética para a nova era
Leonardo Boff
Nenhuma sociedade no passado ou no presente vive sem uma ética. Como seres sociais, precisamos elaborar certos consensos, coibir certas ações e criar projetos coletivos que dão sentido e rumo à história. Hoje, devido ao fato da globalização, constata-se o encontro de muitos projetos éticos nem todos compatíveis entre si. Face à nova era da humanidade, agora mundializada, sente-se a urgência de um patamar ético mínimo que possa ganhar o consentimento de todos e assim viabilizar a convivência dos povos. Vejamos, sucintamente, como na história se formularam as éticas.
Uma permanente fonte de ética são as religiões. Estas animam valores, ditam comportamentos e dão significado à vida de grande parte da humanidade que, a despeito do processo de secularização, se rege pela cosmovisão religiosa. Como as religiões são muitas e diferentes, variam também as normas éticas. Dificilmente se pode fundar um consenso ético, baseado somente no fator religioso. Qual religião tomar como referência? A ética fundada na religião possui, entretanto, um valor inestimável por referi-la a um último fundamento que é o Absoluto.
A segunda fonte é a razão. Foi mérito dos filósofos gregos terem construído uma arquitetônica ética fundada em algo universal, exatamente na razão, presente em todos os seres humanos. As normas que regem a vida pessoal chamaram de ética e as que presidem a vida social chamaram de política. Por isso, para eles, política é sempre ética. Não existe, como entre nós, política sem ética.
Esta ética racional é irrenunciável mas não recobre toda a vida humana, pois existem outras dimensões que estão aquém da razão como a vida afetiva ou além como a estética e a experiência espiritual.
A terceira fonte é o desejo. Somos seres, por essência, desejantes. O desejo possui uma estrutura infinita. Não conhece limites e é indefinido por ser naturalmente difuso. Cabe ao ser humano dar-lhe forma. Na maneira de realizar, limitar e direcionar o desejo, surgem normas e valores. A ética do desejo se casa perfeitamente com a cultura moderna que surgiu do desejo de conquistar o mundo. Ela ganhou uma forma particular no capitalismo no seu afã de realizar todos os desejos. E o faz excitando de forma exacerbada todos os desejos. Pertence à felicidade, a realização de desejos mas, atualmente, sem freios e controles, pode pôr em risco a espécie e devastar o planeta. Precisamos incorporá-la em algo mais fundamental.
A quarta fonte é o cuidado, fundado na razão sensível e na sua expressão racional, a responsabilidade. O cuidado está ligado essencialmente à vida, pois esta, sem o cuidado, não persiste. Dai haver uma tradição filosófica que nos vem da antiguidade (a fábula-mito 220 de Higino) que define o ser humano como essencialmente um ser de cuidado. A ética do cuidado protege, potencia, preserva, cura e previne. Por sua natureza não é agressiva e quando intervém na realidade o faz tomando em consideração as consequências benéficas ou maléficas da intervenção. Vale dizer, se responsabiliza por todas as ações humanas. Cuidado e responsabilidade andam sempre juntos.
Essa ética é hoje imperativa. O planeta, a natureza, a humanidade, os povos, o mundo da vida (Lebenswelt) estão demandando cuidado e responsabilidade. Se não transformarmos estas atitudes em valores normativos dificilmente evitaremos catástrofes em todos os níveis. Os problemas do aquecimento global e o complexo das varias crises, só serão equacionados no espírito de uma ética do cuidado e da responsabilidade coletiva. É a ética da nova era.
A ética do cuidado não invalida as demais éticas mas as obriga a servir à causa maior que é a salvaguarda da vida e a preservação da Casa Comum para que continue habitável.
Estive experimentando um porre de informações esta semana e por conseqüência agora estou com uma ressaca moral. Por mais desligados que pudessem parecer terrivelmente os assuntos tem tudo haver entre si.
Consumismo induzido entre crianças, saúde pública, nossa percepção do outro, do marginal da sociedade, os conceitos clássicos de economia, a destruição da Amazônia, o grande sem sentido da vida materialista, o suicídio de duas pessoas na última semana e a doença de um ente querido.Parei a refletir também as minhas limitações, a minha imensa tendência a preguiça, que me obriga a lembrar seguidamente que o universo não é inerte, nem eu.
Como uma de minhas limitações capitais é a organização terei que tratar cada coisa por ordem, num esforço de ordenar-me eu.
Assisti a um documentário intitulado “criança a alma do negócio” [1] que me deixou profundamente tocado e chateado, um motivo é talvez o de eu ser pai e saber que as crianças são egoisticamente e irresponsavelmente levadas a uma mentalidade consumista o que é permitido por nós, os adultos.Estamos em total desacordo com a nossa natureza fundamental: a de Ser social criado para conviver, para aprender e para de alguma forma crescer em “alto e profundo” para o bem do coletivo que é o nosso próprio. Eu sei que a noção implantada em nós desde o jardim de infância (ou antes) é a de que o individualismo materialista é a melhor e única forma de realização do ser humano.
Já paramos atentamente ante os fatos para reparar na mentira, na falácia que é essa afirmação? A propósito: nossa economia, bem como nosso modo de vida é baseado nela EXCLUSIVAMENTE. Duvida? Então responda com sinceridade o porquê de você e eu termos necessidades de tantas coisas que a priori nunca foram nem nunca serão essenciais. Carros (mais de um se possível) celulares, templos de consumo, roupas caras (que tem a mesma função das que não são tão caras) e uma infinidade de inutilidades que acumulamos não só fisicamente, mas psicologicamente e espiritualmente.
Como disse o Pach Adams em sua entrevista[2] “tudo o que precisamos é comida e amigos”. Dá para ser mais sucinto? Dá para ser mais realista? Com a amizade temos a socialização, temos a relação saudável com a vida e somos psicologicamente estáveis, pois amizade é a primeira forma de amor. Com a comida pode entender-se desde a sua produção e a sua divisão. Com isso temos a posse coletiva da terra, a não alienação das populações urbanas e uma série de outras conseqüências que você pode chegar utilizando a sua mente. Todas elas salutares e efetivas do ponto de vista humanista (ah claro, é interessante ressaltar que me ponho como ser Humano).
Com a questão da saúde pública tenho muito carinho, apesar de não ser a “minha área” ela é a área fundamental de todo ser, pois trata de bens valiosíssimos: o corpo, o convívio e o meio. Comecemos a perceber que tudo até agora está interpenetrado, então talvez seja útil tratar cada assunto como um ponto diferente de observação que fundamentalmente está ligado aos demais.A saúde não pode jamais ser tratada (como o é) apenas como a ausência de doenças e tampouco que estas doenças estejam unicamente localizadas no corpo. A saúde é bem estar de todas as formas possíveis. Físico, sentimental, social, alimentar e todas as outras vertentes que conseguirmos imaginar. Resumindo é um estado de plena realização.
Agora a pergunta: sou saudável? Quais são e em que parte da minha vida estão às relações enfermiças e doentes com a vida, comigo e com o outro?Será que é saudável comprar para se preencher? Quem não ouviu em uma novela, filme ou de uma amiga ou amigo “quando estou deprimida vou ao shopping” como se fosse uma coisa engraçadinha, uma banalidade. Para mim particularmente é um pedido de socorro, um suicídio em potencial, não que vá ocorrer de fato com um tiro na moleira, mas vocês sabem o prozac está aí e ele garante a anestesia da alma, mesmo que por um tempo. Dessa forma o suicídio pode vir na forma de um câncer (menos culpável perante a sociedade) ou quem sabe um aneurisma, um “acidente” de carro.. nesse “transito tão violento” sei lá.. pode colar.
Das relações doentes brota facilmente a relação com o corpo. Tenho contato com adolescentes quase que diariamente. É interessante, eles são o resultado hoje da educação dos pais que foram educados dos anos 70 em diante (auge da propaganda). Como essas meninas são oprimidas! Como a sociedade torna-se mais e mais machista. As meninas têm que ser bibelôs: magras com seios fartos, traseiros perfeitos para serem socialmente aceitas. A minha filha tem esse papel já predisposto pela nossa doença social. A mocinha da novela das oito, que deveria ser motivo de pena é o objetivo de uma massa de pessoas que luta desesperadamente por aceitação.
Os homens não são diferentes: dos meninos é esperada uma virilidade de fachada, todos tem que ser poderosos, fazer sexo com muitas meninas e trata-las como lixo, ora bolas, elas mesmas se tratam como lixo, todos se tratam como lixo.
O próprio conceito de “lixo” vai contra as leis universais da natureza, é uma outra manifestação da doença humana. Como falar então de saúde, bem estar nesse contexto?
Felizmente temos as duas maiores e melhores coisas do universo para nos tornarmos saudáveis no nosso contexto planetário: A vontade e o outro. As duas coisas são indissociáveis de nós, pois só somos humanos porque existimos - se e somente se - estamos em contato com o outro, desde o nascimento. O segundo fator, vontade, se cria e emerge com a nossa individualidade, tende a autonomia nos move inexoravelmente em direção as nossas escolhas, se não a temos somos compulsoriamente arrastados até desenvolvermos essa atribuição.Quanto a saúde poderíamos continuar por muito tempo falando, mas falando das outras propostas também estaremos falando dela.
Hoje de manhã estava tomando um café com leite na cantina da universidade e observando alguns moradores de rua que, de acordo com os doutos, apresentam quadros de doença mental.. esses termos que ficam elegantes nas bocas dos psicólogos e psiquiatras.Estava reparando o paradoxo da universidade, como aqui há um clima de superioridade com relação á comunidade externa. Como as coisas aqui são, da mesma forma voltadas para o individualismo duro e para a manutenção da concentração de renda terra, ou seja lá o que for, nas mãos daqueles que já os têm.
Observando essas duas coisas concluí que os moradores de rua são os termômetros para percebermos o quão mal as coisas vão. Onde estão as pessoas que precisam de universidades públicas? As que não se utilizarão dos recursos coletivos para abrir se próprio negócio, consultório.. etc.Nesse ponto podemos estar pensando, mas é natural! As pessoas lutam, estudam para se dar bem na vida.. e isso acontece como fruto do esforço e do trabalho e do empenho e blá blá blá... Outras mentiras convenientes nas quais queremos acreditar.
Absurdo!? Um ultraje!? Não... não... Ultrajante é continuarmos a nos destruir e destruir a tudo e todas à nossa volta como se fizesse parte (como faz realmente) das regras do jogo.
Vejamos outros exemplos bastante contemporâneos para ilustrar ainda mais o nosso pequeno exercício. A aprovação de uma lei no congresso que, sem meias palavras, autoriza a exploração da Amazônia o roubo de terra por fazendeiros o assassinato dos poucos indígenas que restaram, sem direitos, sem dignidade e sem humanidade.
Patrimônio coletivo da humanidade, dos animais, das plantas sendo vendido para o bom e velho lucro a qualquer custo. Na outra ponta as pessoas que fazem a economia e suas teorias estapafúrdias (pelo menos no tocante a economia clássica e neoclássica) sem considerar que o mundo é finito e com vários erros crassos de lógica disfarçados por mentiras elegantes.
O mais engraçado e perverso é que não conseguem ver (ou estamos tão formatados que não conseguimos tampouco queremos ver a nossa perversão) que o fim ultimo é o bem estar coletivo, planetário e nunca o lucro e acumulação às custas de outros povos, países, ecossistemas, vidas.
Realmente somos macacos muito confusos[3] que pensam que são muitas coisas e não são! Que não sabem que as coisas que criam para fugir de si só os levaram mais e mais fundo até, pelo sofrimento excessivo um dia possam se encontrar, mas até lá quem sabe não tenham mais a sala de aula destruída no processo. O problema é: só temos essa.
Viver é experienciar, se negar é tentar se manter inerte, sofrer sem necessidade e sem inteligência. As únicas coisas que têm valor são as que são construídas com amor pelo amor ao outro e a si e desta forma para o universo.